sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Estou colocando dois artigos que os considero interessantes como reflexões sobre o ano novo.
O primeiro artigo é do José Hugo Celidôneo, respeitadissímo Cheff , o outro da Martha Medeiros colunista da Revista de Domingo, do Jornal O Globo.Ambos apresentam uma visão inusitada sobre o simbolismo da passagem para um novo ano.


Vale a pena le-los.Abraços ! !

Estamos Sobrando

Mais um fim de ano cheio de preguiça e de ... obrigações. Então, fui pescar alguns comentários publicados aqui em anos anteriores. Vejamos: Em 1997: "Pessoalmente não acho mais muita graça nas festas de réveillon. As mulheres exageram nas maquiagens e nas roupas com a intenção de se embelezarem mais e acabam se "peruando" muito. Além do fato de cada ano inventarem mais coisas para dar sorte, como usar cueca branca com bolinhas douradas, as mulheres de calcinha nova, todo mundo com o bolso ou bolsa cheia de notas de dólar e, meia noite em ponto, ficar segurando nelas com firmeza ( o que nos impede de abraçar a pessoa amada, parecendo que ama mais as verdinhas. Mas, o que impede de abraçar a pessoa amada, parecendo que ama mais as vedinhas. Mas, o que acho mais chato é a contagem regressiva. "Faltam cinco, faltam dois etc, etc."Em 2000: "Não é segredo para ninguém que sou admirador das mulheres. E acho que este ano novo será diferente porque estaremos entrando num novo século, que será o século das mulheres. Vejo as moças, e mesmo as não tão moças, ganhando espaços cada vez maiores no nosso mundo. Estão cada vez mais sabendo mandar e também sabendo executar. É para elas que mando meu feliz ano novo. E para os meus colegas homens apenas um conselho: aprendam a cozinhar bem. Afinal, lugar de homem é na cozinha!"Em 2002: "Ano novo planos renovados. Vai ter muita gente prometendo parar de fumar, querendo começar a malhar, planejando viagens ou interessada em perder quilinhos. Mas como estes projetos certamente só serão postos em prática em 2003, vamos aproveitar este finzinho de 2002 para nos deliciar."E agora em 2007: Começar o ano com receitas usando sobras do Natal pode parecer meio maroto. Mas no fundo é apenas uma constatação. Para quase todas as nossas autoridades, principalmente os parlamentares, somos a sobra. Então vamos conviver com elas. Até que um dia a gente acorde e deixe que eles sobrem. Espero que seja breve. Feliz 2008!!!

José Hugo Celidôneo.

Menos Querer

Chegou o último dia do ano e estão todos com a listinha de desejos na mão. Planos são o que mais se tem. É muito saudável esta esperança, mesmo sabendo que chegaremos ao final de 2007 exatamente como chegamos a este final de 2006: contabilizando perdas e ganhos.Alguma coisa teremos realizado, outras ficarão só na vontade, e a frase que diremos pra nós mesmos será: fiz o que pude. Uma declaração de inocência diante da nossa relativa incapacidade.
Pois então faça aquilo que puder, faça o que estiver ao seu alcance para realizar seus projetos, mas bom mesmo seria poder chegar neste 31 de dezembro e pensar: não quero nada.
De tanto querer, tem muita gente que passa por cima da ética, por cima dos amigos, dá espaço para o estresse e para as frustações. Quer-se demais, quer-se tudo, até parece que nada temos, que estamos entrando em um novo ano sem bagagem. Como assim? E o que já se conquistou até aqui, e o que já ganhamos, se não em espécie, ao menos em experiência? Pois a experiência ensina: queira comedidamente, queira sem histeria, ou, melhor ainda, não queira.
Imagine (dando sequencia à letra de John Lennon) uma sociedade em que consuma menos. Uma sociedade que consuma menos. Uma sociedade mais satisfeita com o básico. Claro que devemos querer mais segurança, mais educação,mais moralidade para o país,porém, no que diz respeito a nossas necessidades pessoais, que tal resistir aos apelos esternos e inaugurar um novo ano mais zen? Só o fato de estar vivo, longe de uma cama de hospitatl, já é um feito a se comemorar à meia-noite.
Mais dinheiro, mais roupas, mais sexo, mais festas, mais trabalho, mais, mais. Nossas metas estão sempre relacionadas com estas quatro letras. M+A+I+S. Não é pecado desejar, incluse é recomendável: desejar exercita a alma, nos mantém em movimento, nos enriquece espiritualmente, mas sem cais na vulgaridade do acúmulo, sem a tentação de ficar se exibindo, sem afetação e neurose. Também é evolução poder se olhar no espelho e concluir, com sinceridade: não preciso de nada. que venha o que vier, porque do jeito que estou, já estou bem.
É o que desejo pra você. Não é pouco, acredite. Desejo que você não precise querer mais, que não cai na cilada de inventar metas desnecessárias, que não se exija além da conta. Querer menos eis ai um plano original para 2007. E, estando livre do compromisso de ter que realizar o irrealizável, simplesmente relaxar e aproveitar a vida. Um feliz ano novo, e, além de novo, tranquilo.


" Também é evolução poder se olhar no espelho e concluir com sinceridade: não preciso de nada.Que venha o que vier, porque do jeito que estou, já estou bem."

MARTHA MEDEIROS.


domingo, 23 de dezembro de 2007

Meus Sinceros Votos

Prezado (a) Guapiense,

É com imenso carinho que eu me dirijo a você neste final de ano, momento especial em que reservamos tempo para fazer a renovação da nossa fé e da esperança, por dias melhores que com certeza viveremos, sob a proteção de Deus.

E, também, convidá-lo para que junto possamos fazer de 2008 o ano da esperança e da mudança, transformando desejos e sonhos pessoais em metas e compromissos de solidariedade, sem medo de ser feliz.

Desejando que o amanhecer deste novo ano abra os nossos corações e nossas mentes, para que consigamos ser construtores de dias mais felizes, em que possam triunfar o bem, a justiça e a paz.

Eu e aminha família desejamos a você e a todos os seus familiares e amigos, que 2008 seja de verdade aquele ano novo, repleto de momentos duradouros de muita paz e muitas felicidades.

Feliz Natal! Feliz Ano Novo!

Um forte abraço. Fique com Deus!

São os votos de Sebastião Medeiros e família

domingo, 2 de dezembro de 2007

“Somos todos loucos...”

Confira mais fotos da Emancipação em meu flickr: MEDEIROS Guapí

Guapí está emancipado! Essa melodia fez eco em nossos corações como uma doce balada de amor a cidade naquele dia 25 de novembro de 1990.

A cidade amanheceu linda, o sol brilhava intensamente realçando o contraste de nossas atlânticas matas com o azul celestial da circundante Serra dos Órgãos, o Dedo de Deus em destaque. sinalizava positivo. Simbolismo melhor não poderia existir

Na rua, desce cedo, já se ouviam as vozes contentes das urnas recebendo o SIM. Até porque era insignificante o NÃO. A não ser um vereador guapiense que queria ser deputado, discordava porque tinha interesse nos votos mageenses.

A nossa grande preocupação era assegurar o quorum mínimo para validar a emancipação. Mas nós, quapienses “loucos”, brigávamos pelo índice máximo dessa idéia de liberdade... quase atingimos a unanimidade.

Eu vi você na rua, madrugando para disputar o primeiro voto, panfletando nas esquinas e na “boca de urna”, com o desejo a essa altura já incontido de gritar: SIM, SIM, SIM!!!

Ainda me lembro bem do seu partido político, ele era o “PUG” Partido único de Guapí. Estávamos todos no mesmo “Partido”, ou melhor, no mesmo “Inteiro” de Guapí.

Guapíense, você deve estar se recordando das batalhas que travamos juntos nos longos plantões na Assembléia Legislativa, nas idas e vindas ao IBGE para definir nossos confusos limites, nas consultas ao IBAM e no Gabinete do Governador para a ansiada promulgação do Ato de Emancipação.

Eu me lembro de você e da sua participação nos nossos “Movimento de Emancipação”, “Fórum de Debates”, “Pensando Guapí”, “Pedágios nas Estradas”, nas reuniões da “Gaiola das Loucas”, comprando as lindas camisas do “Mico Leão Dourado” criadas pelo Lauro.

Que saudade dos nossos professores e suas “cartilhas do SIM”, das igrejas, com o coração em Deus e a “cabeça” nesta terra guapiense.

No final da tarde daquele domingo especial de novembro de 1990, chovia bastante mas a praça estava cheia. Lembro-me de ter visto você pulando de alegria, abraçado a tantos outros heróis anônimos e “loucos” como nós, apostando no futuro de Guapi. Uma das maiores festa cívica que eu participei: emoção total, pura adrenalina.

Assim como você, também não tenho dúvida de que valeu a pena a emancipação. É muito bom sentir esse orgulho de poder definir nosso destino.

Somos todos “loucos”... loucos por Guapí e felizes por termos participado desta história. Você tem razão: A emancipação deve continuar.

Sebastião Medeiros – Guapiense “louco por guapi” como você

MOVIMENTO DA CONSCIÊNCIA NEGRA. VALEU ZUMBI!


Confira mais fotos em meu orkut: MEDEIROS Guapí

No último dia 16 de Novembro participei em Guapimirim, na Pousada Sonho Verde, de um atraente evento que com certeza podemos incluí-lo no conceito de manifestações do orgulho negro, estávamos a menos de quatro dias de um feriado, regional, dedicado a consciência negra. Espero que em breve seja feriado nacional. Porque como diria Baby Consuelo: todo dia era dia de negro. Valeu Zumbi!

Foi um bela “Festa comunitária de debutantes” com meninas afrodescendentes na faixa etária de 15 a 17 anos. Creio que a festa será inesquecível para as meninas que estavam debutando, seus familiares e amigos. A festa foi produzida com muito carinho e muito bom gosto pelo alegre pessoal que acompanha a Carmen Helena, a Carmen do Pt, como ela é mais conhecida.

A medida que a festa me contagiava com sua beleza lúdica leve e solta, em paralelo girava controversa a minha cabeça em torno desse e de outros movimentos de afirmação da consciência negra e suas formas de interpretação.

Visando aglutinar possíveis patrocinadores e padrinhos para incrementar o evento eu havia comentado com algumas pessoas sobre a Festa comunitária, quando foi surpreendido com comentários de que comemorar a reafirmação dessa questão da identidade negra possibilita levar a contradições com a criação de movimentos similares de orgulho branco.

Assim não dá. Se durante muito tempo fomos educados a discriminar pessoas apoiados em critérios da cor da pele e daí a diferenciar em três tipos de raças: amarela, branca e negra. Só a revisão desses processos de educação poderá desfazer esse nó em muitas cabeças.

No dicionário do Aurélio o conceito de raça é definido como: “um conjunto de indivíduos cujos caracteres somáticos, tais como cor da pele, a conformação do crânio e do rosto, o tipo do cabelo etc., são semelhantes e se transmitem por hereditariedade, embora variem de indivíduo para indivíduo.”

Houaiss, em seu dicionário apresenta o conceito de raça como: “divisão tradicional e arbitrária dos grupos humanos, determinada pelo conjunto de caracteres físicos hereditários” .

Etmológicamente, a noção de raça é rejeitada por se considerar a proximidade cultural com maior relevância do que o fator racial. Certas culturas de raças diferentes estão muito mais próximas do que outras de mesma raça. Portanto, como não somos homogêneos, não podemos estar condicionados a nossa aparência física.

Mas, a mistura étnica, “a moda brasileira”, não derrubou os muros da discriminação. Pois, ela continua se manifestando de maneira camuflada em anúncios em que se requer foto, boa aparência, e na existência de elevadores de serviços, cristalizando a precária inserção de diferentes no mercado de trabalho e a elevada presença negra liderando as estatísticas de trabalhados domésticos e de desempregados, principalmente no contigente das mulheres.

Entre as bases que apoiam e potencializam as discriminações está o desconhecimento ou a negação entre os conceitos de diferenças e desigualdades. Reconhecer a pessoa diferente é constatar que a diversidade humana é baseada em características herdadas e adquiridas.
Entretanto o desigual se estabelece quando se marginaliza uma das partes para ser a referencia do normal, criando uma assimetria de poder, facilitando uma hegemonia arbitrária sobre os outros, os desiguais..
Para não termos dúvidas basta examinarmos os dados e as informações quanto as "desigualdades residuais" contidas em todas as publicações que se sucedem a cada novo Censo publicado pelo IBGE.

Sabendo que podemos identificar cientificamente, através dos exames de DNA, semelhanças entre indivíduos que se apresentam fisicamente diferentes, essa discussão perde atualidade, dentro do conceito de etnia.

Uma pessoa orgulhosa de sua história e de sua trajetória é uma pessoa com sua auto-estima resgatada, construirá ou reconstruirá sua identidade e, com certeza, se insere melhor na sociedade. Logo, pertencemos todos a mesma a raça: A raça humana.
Como diz Caetano: “Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”.