domingo, 2 de dezembro de 2007

MOVIMENTO DA CONSCIÊNCIA NEGRA. VALEU ZUMBI!


Confira mais fotos em meu orkut: MEDEIROS Guapí

No último dia 16 de Novembro participei em Guapimirim, na Pousada Sonho Verde, de um atraente evento que com certeza podemos incluí-lo no conceito de manifestações do orgulho negro, estávamos a menos de quatro dias de um feriado, regional, dedicado a consciência negra. Espero que em breve seja feriado nacional. Porque como diria Baby Consuelo: todo dia era dia de negro. Valeu Zumbi!

Foi um bela “Festa comunitária de debutantes” com meninas afrodescendentes na faixa etária de 15 a 17 anos. Creio que a festa será inesquecível para as meninas que estavam debutando, seus familiares e amigos. A festa foi produzida com muito carinho e muito bom gosto pelo alegre pessoal que acompanha a Carmen Helena, a Carmen do Pt, como ela é mais conhecida.

A medida que a festa me contagiava com sua beleza lúdica leve e solta, em paralelo girava controversa a minha cabeça em torno desse e de outros movimentos de afirmação da consciência negra e suas formas de interpretação.

Visando aglutinar possíveis patrocinadores e padrinhos para incrementar o evento eu havia comentado com algumas pessoas sobre a Festa comunitária, quando foi surpreendido com comentários de que comemorar a reafirmação dessa questão da identidade negra possibilita levar a contradições com a criação de movimentos similares de orgulho branco.

Assim não dá. Se durante muito tempo fomos educados a discriminar pessoas apoiados em critérios da cor da pele e daí a diferenciar em três tipos de raças: amarela, branca e negra. Só a revisão desses processos de educação poderá desfazer esse nó em muitas cabeças.

No dicionário do Aurélio o conceito de raça é definido como: “um conjunto de indivíduos cujos caracteres somáticos, tais como cor da pele, a conformação do crânio e do rosto, o tipo do cabelo etc., são semelhantes e se transmitem por hereditariedade, embora variem de indivíduo para indivíduo.”

Houaiss, em seu dicionário apresenta o conceito de raça como: “divisão tradicional e arbitrária dos grupos humanos, determinada pelo conjunto de caracteres físicos hereditários” .

Etmológicamente, a noção de raça é rejeitada por se considerar a proximidade cultural com maior relevância do que o fator racial. Certas culturas de raças diferentes estão muito mais próximas do que outras de mesma raça. Portanto, como não somos homogêneos, não podemos estar condicionados a nossa aparência física.

Mas, a mistura étnica, “a moda brasileira”, não derrubou os muros da discriminação. Pois, ela continua se manifestando de maneira camuflada em anúncios em que se requer foto, boa aparência, e na existência de elevadores de serviços, cristalizando a precária inserção de diferentes no mercado de trabalho e a elevada presença negra liderando as estatísticas de trabalhados domésticos e de desempregados, principalmente no contigente das mulheres.

Entre as bases que apoiam e potencializam as discriminações está o desconhecimento ou a negação entre os conceitos de diferenças e desigualdades. Reconhecer a pessoa diferente é constatar que a diversidade humana é baseada em características herdadas e adquiridas.
Entretanto o desigual se estabelece quando se marginaliza uma das partes para ser a referencia do normal, criando uma assimetria de poder, facilitando uma hegemonia arbitrária sobre os outros, os desiguais..
Para não termos dúvidas basta examinarmos os dados e as informações quanto as "desigualdades residuais" contidas em todas as publicações que se sucedem a cada novo Censo publicado pelo IBGE.

Sabendo que podemos identificar cientificamente, através dos exames de DNA, semelhanças entre indivíduos que se apresentam fisicamente diferentes, essa discussão perde atualidade, dentro do conceito de etnia.

Uma pessoa orgulhosa de sua história e de sua trajetória é uma pessoa com sua auto-estima resgatada, construirá ou reconstruirá sua identidade e, com certeza, se insere melhor na sociedade. Logo, pertencemos todos a mesma a raça: A raça humana.
Como diz Caetano: “Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”.